Porque o Bonde era o veículo
dos foliões no Carnaval carioca, bem como era dos sambistas que iam e viam dos subúrbios
para o centro da cidade, em especial para o Bar da Galeria Cruzeiro, no térreo do
Hotel Avenida, na Avenida Central, atual Av. Rio Branco, para tomar o chopinho
nosso de cada dia.
Assim está escrito em Rio de
Janeiro Aqui:
Hotel Avenida - Rio Antigo
“O Hotel Avenida pertenceu à
Companhia Ferro-Carril do Jardim Botânico-CFCJB, ou seja, uma companhia de
Bondes, que fornecia transporte urbano no Rio de Janeiro. Nas fotos pode-se ver
um bonde chegando à um dos terminais que ficava à frente do hotel. ”
“ No térreo do edifício do
Hotel Avenida ficava a estação de passagem dos bondes da Companhia Ferro-Carril
do Jardim Botânico, que se dirigiam à Zona Sul do Rio de Janeiro. No mesmo
local, em frente aos bondes, ficava a famosa Galeria Cruzeiro, com muitos bares
e restaurantes em parte do pavimento térreo do Hotel Avenida. ”
“As lojas, bares e
restaurantes circundava o pavimento térreo com frente tanto para o Largo da
Carioca como também para as ruas laterais. A galeria tinha o nome de
"cruzeiro" devido a ter duas passagens ou galerias que se
encontravam, em forma de cruz. ”
“ O Hotel Avenida foi
personagem de uma época de brilho e glamour do Rio de Janeiro da Belle Époque.
Construído em 1910 na recém-inaugurada Avenida Central, atual Av. Rio Branco, ao
estilo de Paris, brilhou no cenário do centro da Cidade até 1957, quando foi
demolido para dar lugar à construção do Edifício Central. ”
Ouvi, uma vez do próprio Mario
Lago que ele frequentava muito a Galeria Cruzeiro.
Soube por Aracy de Almeida,
carioca do bairro de Encantado, que Noel Rosa, Poeta da Vila, de Vila Isabel, também,
era frequentador.
Não vi, mas soube que “ Pixinguinha
tocava no bar da Galeria Cruzeiro”.
Os velhos sambistas iam de Bonde
para o Café Nice, um café-bar estabelecido na Avenida Central, a nossa Rio
Branco, no número 174, onde, também, pontificavam Noel Rosa, Mario Lago, Wilson
Batista ( autor do Livro "Café
Nice" um livro de memórias jamais terminado), Erasmo Silva, Patrício Teixeira , Pixinguinha,
Donga, João de Barro, Almirante, Ataulfo Alves, Orlando Silva entre outros, sendo assim um grande “ ponto de
encontro maravilhoso, que teve uma representatividade muito grande na história
do Rio de Janeiro, para a boemia”.
A pé ou de Bonde esses memoráveis
iam aos Cabarés da Lapa, e o Rio de Janeiro vivia a sua a Áurea, quando o Balneário
de Luxo brilhava, resplandecia, não só por ser a Capital Federal da Republica
dos Estados Unidos do Brasil, mais porque nela, a Cidade Maravilhosa, se fazia
Cultura, principalmente a Cultura do Samba.
Wilson Batista e Ataulfo Alves
compuseram o samba “O Bonde São Januário” cuja letra é:
É quem tem razão
Eu digo
E não tenho medo
De errar
Quem trabalha...
O Bonde São Januário
Leva mais um operário
Sou eu
Que vou trabalhar
O Bonde São Januário...
Antigamente
Eu não tinha juízo
Mas hoje
Eu penso melhor
No futuro
Graças a Deus
Sou feliz
Vivo muito bem
A boemia
Não dá camisa
A ninguém
Passe bem!
É como eu afirmo o BONDE
estava sempre presente na vida dos velhos sambistas...
E vamos nos...
Vamos que vamos...
