Samba na Cidade Maravilhosa, na Muy Leal e Heroica Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, antiga Capital Federal - DF, terra de sonhos e lindas canções onde eu nasci. Jorge Eduardo
terça-feira, 28 de fevereiro de 2017
Carnaval Democrático um conceito paulistano de Alexandre “ Alex” Youssef com apoio GloboNews.
O grande Adoniran Barbosa,
nome artístico de João Rubinato, nascido em Valinhos, município brasileiro do Estado
de São Paulo, no dia 6 de agosto de 1910, e falecido em 23 de novembro de 1982 na
Cidade de São Paulo, com 72 anos, foi um compositor, cantor, humorista, ator,
que compôs os mais tradicionais sambas paulistas como “ O trem das onze”, o “ Saudosa
Maloca, que é considerado a porta de entrada de Adoniran no hall da fama de
compositores brasileiros”.
Contudo o
grande Adoniran Barbosa não “imprimiu” um rosto ao Carnaval da Cidade de São Paulo
como fizeram Tia Ciata, Pixinguinha, Donga, Heitor dos Prazeres, Cartola, Zé Keti,
Davi Nasser, o compositor e marchista Mario Lago, o marchista João Roberto Kelly
(Girinão Roberto Esteves Kelly), entre outros BAMBAS DO SAMBA, entre outros
BAMBAS DAS MARCHINHAS, que imprimiram um rosto ao Carnaval do Rio de Janeiro.
Contudo o
grande Adoniran Barbosa não “imprimiu” um rosto ao Carnaval da Cidade de São Paulo
como fizeram o Olodum, os Filhos de Ghandi, o Ilê Aiyê, o Chiclete com Banana,
a cantora e ativista social Daniela Mercury, entre outros, que imprimiram um
rosto ao Carnaval de Salvador, ou imprecisamente Carnaval da Bahia.
Contudo o
grande Adoniran Barbosa não “imprimiu” um rosto ao Carnaval da Cidade de São Paulo
como o “ jornalista Oswaldo Oliveira, na edição de 9 de fevereiro de 1907 do Jornal
Pequeno, que fez a primeira referência ao FREVO, declarado Patrimônio Imaterial
da Humanidade pela UNESCO em 2012, e que com essa publicação imprimiu um “rosto” ao Carnaval de Recife, no Carnaval de Pernambuco”.
Sem um “rosto”
definido o senhor Alexandre “ Alex” Youssef, promotor cultural da Cidade de São
Paulo, que parece ser o novo inspirador do carnaval paulista, pode definir esse
“rosto” ao seu bel-prazer, pode impor aos blocos carnavalescos que pululam pela
Paulicéia Desvairada a regra de que as tradicionais marchinhas carnavalescas não
podem ser tocadas, devem ser banidas do imaginário popular, pois elas são “politicamente incorretas”.
É um direito
dele, segue quem quiser.
Só não pode
querer impor sua regra contra as tradicionais marchinhas carnavalescas, pois elas
são “politicamente incorretas”, ao Carnaval Carioca.
Não pode
mesmo.
Só não pode
querer impor sua regra contra as tradicionais marchinhas carnavalescas, pois elas
são “politicamente incorretas”, ao Carnaval de outras cidades pelo Brasil Varonil,
oba, oba.
Não pode
mesmo.
Até porque essa regra 'politicamente correta' fere “ uma das principais funções da
democracia que é a proteção da liberdade de expressão”.
O senhor Alexandre
“ Alex” Youssef, promotor cultural da Cidade de São Paulo, que parece ser o
novo inspirador do carnaval paulista, com apoio da GloboNews, pode considerar que
o carnaval é democrático (declaração que por si só a transforma em um conceito
paulistano), e que nele – o democrático carnaval- vale todos os ritmos, em uma
guerra declarada aos Sambas e Marchinhas cariocas, mas não é bem assim.
Quem quer
tocar outros ritmos não faz carnaval, no conceito brasileiro dessa palavra, mas
sim shows durante o período carnavalesco, “que ocorre antes da estação
litúrgica da Quaresma, do Tempo da Quaresma, que antecede a Páscoa cristã”, e
como shows devem ser consideradas essas manifestações musicais-populares.
Nada tenho
contra esses shows com cantores sertanejos, com amantes do Beatles, com
funkeiros, etc., muito pelo contrário, só considero que não podem ser
considerados como carnaval no sentido brasileiro dessa festa popular.
Que se monte
Trio- elétricos com DJ, com cantores sertanejos, com amantes do Beatles, com
funkeiros, etc., mas que essas pessoas deem a Cesar o que é de Cesar, ou seja, aos
Sambas, as Marchinhas, o local que é delas por direito de nascimento, por direito
de conquista de gerações e gerações, no Carnaval carioca, no coração do povo
carioca, em muitos dos corações dos brasileiros, e ponto final.
Sem mais...
Jorge
Eduardo Garcia
Escolas de Samba do Rio de Janeiro de 2017– desfile dos acidentes.
A simpática jornalista econômica da famigerada GloboNews, a
emissora que nunca desliga em sua guerra contra o samba no Carnaval carioca, sugeriu
que o desfile das Escolas de Samba deveria ser suspenso, passar para outro dia,
por causa dos acidentes que ocorreram.
A simpática jornalista desconhece:
1-
Que desfile de Escola de Samba é show e como tal
mesmo que aconteça a maior tragédia “ o show deve continuar”, em inglês, língua
do pais de onde surgiu o dito, “ The show must go on”;
2-
Que o show deve continuar porque centenas de pessoas
estão nele, o desfile, envolvidas em sua confecção, em sua participação (vindas
dos mais diversos pontos do Brasil e do exterior somete para o dia do desfile)
na plateia, nas transmissões televisivas nacionais e internacionais, etc.;
3-
Que milhões de reais foram gastos, agora com
muito com sacrifício graças a crise, para alegria de um povo pobre, triste,
estressado, ante a situação social-política- econômica no Brasil, situação está
que ela sempre com um agradável sorriso nos lábios nos noticia diariamente.
Pelo o acima exposto vemos que a sugestão da eminente
jornalista paulista é inviável, é impossível, é um nonsense total.
Jorge Eduardo Garcia
28/02/17
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017
Corsos Carnavalescos e Batalhas de Confete http://www.riodejaneiroaqui.com/carnaval/carnaval-corsos.html
Os corsos de carnaval e as batalhas de confete ganharam as ruas no início do século 20, tornando-se uma atração no início da era do automóvel. Corsos podem ser tidos como uma nova formatação dos antigos cortejos das grande sociedades carnavalescas da segunda metade do século 19.
Origens, auge e declínio dos Corsos e Batalhas de Confete
Durante certa época, foi muito popular no Rio de Janeiro os "Corsos" e batalhas de confetes, assim como banhos de mar à fantasia.
Os corsos de carnaval seriam a nova forma tomada no século 20 pelos cortejos ou desfiles das sociedades carnavalescas da segunda metade do século 19. Os corsos também poderiam ser entendidos como uma tropicalização das "batalhas das flores" que eram uma característica de sofisticados carnavais Europeus na virada do século 19 para o século 20, semelhantes ao carnavais que ocorriam na cidade de Nice no sul da França.
Estas brincadeiras de carnaval eram basicamente um desfile de carruagens enfeitadas e posteriormente de automóveis com suas respectivas capotas de lona abaixadas. Os veículos desfilavam na Av. Central (atual Av. Rio Branco) e Av. Beira Mar, repletos de foliões fantasiados. Quando os veículos se entrecruzavam, os grupos de foliões fantasiados jogavam confetes, serpentinas e esguichos de água ou lança-perfume uns nos outros.
Os corsos carnavalescos eram uma manifestação mais ligadas às elites cariocas ou pessoas de classe média alta para cima, já que nem todo mundo na época possuia veículos, seja de tração animal ou automóveis. Entretanto nos corsos, alguns grupos alugavam veículos, mas para tal era necessário ter poder aquisitivo.
O corso carnavalesco foi um dos mais importantes eventos do carnaval carioca na primeira década do século 20, geralmente ocupando as vias da cidade dedicadas ao carnaval durante os 3 dias de folia. Somente em horários pré-determinados era aberto espaço para os agrupamentos populares como os Ranchos que desfilavam na segunda-feira e para as Grande Sociedades que desfilavam na chamada terça-feira.
Um fato marcante e ousado aconteceu no carnaval de 1907, quando as filhas do então Presidente da República Afonso Pena, passearam usando o automóvel presidêncial pela Av. Beira-Mar no Rio de Janeiro, e este evento contribuiu para a divulgação e proliferação da nova moda carnavalesca no Brasil.
Independentemente deste desfile "presidencial", a "moda" dos corsos se proliferava pelas maiores cidades do Brasil, onde aderindo à moda surgida na capital federal, os prefeitos e autoridades abriam suas principais ruas e avenidas para os corsos.
Na década de 1940, segundo alguns autores o corso já não era mais tão usual, e a chamada "alta sociedade" já não mais desfilava com seus automóveis.
O Fim do Corso
Segundo observação de "Almirante", um antigo radialista e compositor da primeira metade do século 20, a decadência do corso e do carnaval tradicional de rua com farta batalha de confete, lança-perfumes e serpentinas, se deu à partir de 1935. Este associa o fim do corso á diminuição de carros abertos ou conversíveis com capotas de lona. Carros com capotas conversíveis de lona praticamente pararam de ser fabricados, e as duas filas de carros que se formavam começando na Praça Mauá, início da Av. Central (atual Av. Rio Branco) e chegando até o Pavilhão Mourisco (antigo local de Botafogo, já demolido), foram gradativamente diminuindo.
Aliádo à este fato, a polícia passou a permitir que caminhões enfeitados e com muitos foliões nas carrocerias participasem do corso, inibindo talvez os carros que ainda persistiam nos desfiles. Bem, não seriam os "trios elétricos" dos dias de hoje, inspirados ou derivados dos caminhões carregadados de foliões?
Corsos no Interior do Brasil
Até fins da década de 1960 no século 20, alguns carros com foliões ainda podiam serem vistos em cidades do interior do Brasil.
Nesta época já não existiam mais tantos carros conversíveis ou com capota retrátil, mas alguns foliões passeavam pela cidade sobre a carroceria de caminhonetes cantando com alguns instrumentos, e em alguns casos com lanças perfumes ou bisnagas de água.
Nesta época já não existiam mais tantos carros conversíveis ou com capota retrátil, mas alguns foliões passeavam pela cidade sobre a carroceria de caminhonetes cantando com alguns instrumentos, e em alguns casos com lanças perfumes ou bisnagas de água.
Uma variante deste costume, que ocorria no interior do Brasil, em cidades de porte médio, era uma espécie de "volta do entrudo", quando foliões bastante jovens subiam na carroceira de caminhonetes munidos de tomates maduros ou goiabas muito maduras e começavam uma "guerra" carnavalesca de gosto duvidoso, quando encontravam outra caminhonete com um grupo afim da mesma brincadeira.
No íncio da era do automóvel e nas recem abertas vias da Capital Federal, os Corsos eram uma atividade social
Na foto abaixo, do lado esquerdo, corso carnavalesco de 1907. Observe que existem muitas serpentinas e quando um carro passava por outro aconteciam as batalha de confete. Pode-se notar que a foto foi tirada no trecho em frente à Praça Cinelândia, onde se vê o pórtico que fica ao lado do antigo prédio do Supremo Tribunal Federal, um pouco antes da Biblioteca Nacional.
Outro corso de carnaval de 1907, mostrado na foto do lado direito, também acima, quando a aristocracia saia em carros abertos desfilando pela Av Central, atual Av. Rio Branco e Av. Beira Mar, ambas recem abertas durante a modernização da antiga capital federal. Do lado direito parece que alguém atira de lança perfume. Os corsos se propagaram por todo o Brasil e durante algum tempo tiveram muito destaque no carnaval.
Referências
- Consulta a livros diversos sobre o Rio de Janeiro e sua história foram feitas para dar suporte à criação desta página.
http://www.riodejaneiroaqui.com/carnaval/carnaval-corsos.html
Ranchos Carnavalescos - http://www.riodejaneiroaqui.com/carnaval/carnaval-ranchos.html
Os Ranchos eram associações que realizavam cortejos de carnaval, com a presença de Rei e Rainha ao som das chamadas marcha-rancho. Surgiram no final do século 19 e atingiram seu maior prestígio e evidência na primeira metade do século 20.
História, origens e formatação do desfile
Os Ranchos eram associações que desfilavam ou faziam cortejo de carnaval, e supõe-se que as suas influência vinham de dança e divertimentos derivados da cultura africana, como Congos e Cucumbis, divertimentos estes mais difundidos entre as camadas mais populares.
O desfile dos Ranchos envolviam uma alegoria semelhante à um cortejo, tendo a presença de Rei e Rainha, isto feito ao som de uma marcha-rancho, com uso de instrumentos de sopro e corda.
As marchas rancho, como o próprio nome diz, constituíam um ritmo bem mais pausado que o samba das atuais Escolas de Samba. O "Abre Alas", composição de Chiquinha Gonzaga é um exemplo de marcha rancho.
Os Ranchos tinham em suas fileiras os Mestres de Harmonia, um Mestre de Canto e um Mestre de Sala que era responsável pela coreografia.
Além destas características, cada Rancho tinha sua bandeira em forma de estandarte, com um casal de Porta-Estandarte e Mestre-Sala, responsável pela guarda do estandarte. Nas atuais escolas de samba, também existe a figura da Porta-Estandarte e Mestre Sala, tendo sido este costume vindo dos Ranchos.
Alguns historiadores acreditam que os Ranchos são uma evolução ou modificação de antigas manifestações como a Folia de Reis, que acontecia também no dia de Reis. Apenas à título de curiosidade, penso que a chamada Folia ou Festa do Divino, possa também ter inspirado as formas de expressão dos Ranchos, pois também se utilizavam de bandeiras e fantasias.
Reconhecimento e Prestígio
Os Ranchos ganharam o reconhecimento das autoridades, não somente reconhecimento formal mas também na forma de prestígio. O "Reis de Ouro", um famoso Rancho à sua época, foi recebido pelo Marechal Floriano Peixoto em 1894. Assim se seguindo, nos primeiros anos do século 20 os Ranchos despontaram e se tornaram uma grande atração do carnaval carioca , quando então passaram a ser descritos como uma espécie de ópera popular.
Em 1911 foi organizado a primeira competição oficial dos desfiles de Rancho, competição esta organizada pelo Jornal do Brasil. Neste mesmo ano, o Marechal Hermes da Fonseca convidou o Rancho Ameno Resedá para visitar o Palácio da Guanabara. No ano de 1919 foi criada a primeira Liga Metropolitana Carnavalesca, tendo como membros fundadores os principais Ranchos da época.
Declínio dos Ranchos Carnavalescos
O ultimo desfile de Ranchos no Rio de Janeiro aconteceu por volta de 1980, mas no final dos anos da década de 1950 já se encontravam em declínio.
Eu que aqui escrevo, me lembro que por volta de 1981, estive em uma noite de Carnaval na Cinelândia e Avenida Rio Branco, e lá, se bem me lembro, devo ter visto parte de um dos últimos desfiles dos Ranchos, que aconteciam ao som de uma marchinha.
As Escolas de Samba, que surgiram em torna da virada de 1930, com o tempo foram ganhando terreno e passaram a ocupar o lugar dos Ranchos. Diferentemente dos Ranchos, os membros das Escolas de Samba dançavam ao som do Samba moderno enquanto desfilavam, e o conjunto de músicos que acompanhava as escolas usavam apenas instrumentos de percussão e não usavam instrumentos de sopro, instrumentos estes que eram até proibidos de acordo com os regulamentos dos concursos.
http://www.riodejaneiroaqui.com/carnaval/carnaval-ranchos.html
Entrudo no Carnaval do Rio de Janeiro - http://www.riodejaneiroaqui.com/carnaval/carnaval-entrudo.html
Entrudo no Carnaval do Rio de Janeiro
O "Entrudo" era um tipo de brincadeira de carnaval, possivelmente trazido pelos portugueses da Índia. Como brincadeira feita nas ruas, era tida como uma manifestação festiva desagradável e de certo modo nociva e irritante de comemorar o carnaval para quem não apreciava as brincadeira. O entrudo era a principal manifestação do Carnaval do Rio de Janeiro na primeira metade do século 19.
O Entrudo era uma gerra de brincadeira feita com limões de cheiro
Os participantes que saíam às ruas em grupos jogavam nas pessoas ovos e bolas de cera cheias de água (limões de cheiro), e não respeitavam nada nem ninguém. Em alguns casos, ao invés de jogar água perfumada, jogavam líquidos mal cheirosos. Jogavam também farinha e pós de diversas substâncias em grandes quantidades, muitas vezes causando incidentes sérios. Devido à estes distúrbios, esta prática foi proibida em 1853.
Cronologicamente falando, o entrudo é uma manifestação e brincadeira de carnaval que surgiu antes dos cordões carnavalescos e grandes sociedades carnavalescas.
O Entrudo existia também como brincadeira familiar e saudável, onde o intuito era se divertir de forma expansiva mas não tanto quanto o entrudo "popular" onde a brincadeira em alguns casos se tornava muito agressiva.
Pela gravura abaixo, de 1822, ano da independência do Brasil, pode-se ver que a brincadeira não se restringia somente aos limites da rua. A gravura mostra a brincadeira do entrudo no interior de uma residência. Entretanto a brincadeira se expande para o exterior da casa, e na gravura é possível ver os foliões lançando as "bolas de cera" ou "limões de cheiro" através das janelas em direção às casas vizinhas. A casas do período colonias e do primeiro e segundo reinado eram muito próximas umas das outras e as ruas estreitas facilitando a "guerra" de farinha. Observe que em bandejas são oferecidas as "bolas de cera" que foram preparadas para serem atiradas durante as brincadeiras.
Os "Entrudos" aconteciam em muitas das principais cidades do Brasil, às vezes com maior ou menor grau de participação das populações, e também com maior ou menor nível de agressividade quando feito nas ruas.
Debret Descreve o Carnaval Carioca entre 1816 e 1830
Após retornar à França, o pintor Debret escreveu um livro onde apresentava suas pranchas e pinturas feitas no Brasil, assim como textos relatando suas experiências e o que viu aqui. Debret permaneceu anos no Brasil, primeiro à convite de D.João VI e depois sob o estímulo de D.Pedro I, tendo retornado ao seu pais após a abdicação de Pedro I.
Abaixo o texto de Debret, em que ele descreve a gravura acima e também acrescenta mais detalhes sobre o Carnaval Carioca em 1830.
"O carnaval no Rio e em todas as províncias do Brasil não lembra em geral nem os bailes nem os cordões barulhentos de mascarados que, na Europa, comparecem a pé ou de carro nas ruas mais frequentadas, nem às corridas de cavalos chucros tão comuns na Itália.Os únicos preparativos do carnaval brasileiro consistem na fabricação dos limões-de-cheiro, atividade que ocupa toda a família do pequeno capitalista, da viúva pobre, da negra livre que se reúne a duas ou três amigas, e finalmente das negras das casas ricas que todas, com dois meses de antecedência e à força de economias, procuram constituir sua provisão de cera.O limão-de-cheiro, único objeto dos divertimentos do carnaval, é um simulacro de laranja, frágil invólucro de cera de um quarto de linha de espessura e cuja transparência permite ver-se o volume de água que contém. A cor varia do branco ao vermelho e do amarelo ao verde; o tamanho é o de uma laranja comum; vende-se por um vintém e as menores a dez réis. A fabricação consiste simplesmente em pegar uma laranja verde de tamanho médio, cujo caule é substituído por um pedacinho de madeira de quatro a cinco polegadas que serve de cabo, e mergulhá-la na cera derretida.
Operada essa imersão, retira-se o fruto ligeiramente coberto de cera e mergulha-se nágua fria, a fim de que se revista de uma película de um quarto de linha de espessura, bastante resistente, entretanto. Parte-se em seguida esse molde, ainda elástico, a fim de retirar a laranja e, aproximando-se as partes cortadas, solda-se o molde de novo com cera quente, tendo-se o cuidado de deixar a abertura formada pelo pedaço de madeira para a introdução da água perfumada com que deve ser enchido o limão-de-cheiro.O perfume de canela, que se exala de todas as casas do Rio de Janeiro durante os dois dias anteriores ao carnaval, revela a operação, fonte dos prazeres esperados.Para o brasileiro, portanto, o carnaval se reduz aos três dias gordos, que se iniciam no domingo às cinco horas da manhã, entre as alegres manifestações dos negros já espalhados nas ruas a fim de providenciarem para o abastecimento em água e comestíveis de seus senhores, reunidos nos mercados ou em torno dos chafarizes e das vendas.Vemo-los aí, cheios de alegria e de saúde, mas donos de pouco dinheiro, satisfazerem sua loucura inocente com a água gratuita e o polvilho barato que lhes custa cinco réis.Nesses dias de alegria, os homens de cor mais turbulentos, embora sempre respeitosos para com os brancos, reúnem-se depois do jantar nas praias e nas praças, em torno dos chafarizes, a fim de se inundarem de água, mutuamente, ou de nela mergulharem uns aos outros por brincadeira; a vítima, ao sair do banho, pula e faz contorções grotescas, com as quais dissimulam às vezes o seu amor-próprio ferido.Quanto às mulheres negras, somente se encontram velhas e pobres nas ruas, com o seu tabuleiro à cabeça, cheio de limões-de-cheiro vendidos em benefício dos fabricantes.Mas os prazeres do carnaval não são menos vivos entre um terço pelo menos da população branca brasileira; quero referir-me à geração de meia-idade, ansiosa por abusar alegremente, nessas circunstâncias, de suas forças e sua habilidade, consumindo a enorme quantidade de limões-de-cheiro disponíveis.Domingo ainda, mas depois do almoço, o vendeiro procura provocar o vizinho da frente, com incidentes insignificantes, a fim de atraí-lo à rua e jogar-lhe o primeiro limão ao rosto.Alguns jovens franceses empregados no comércio, passeiam como se fossem sentinelas avançadas, armados de limões, e aproveitam a oportunidade para inundar uma senhora, também francesa, ocupada no fundo da loja semifechada.Vêem-se também jovens negociantes ingleses, consagrando de bom grado 12 a 15 francos a um quarto de hora de brincadeira lícita, passear com orgulho e arrogância, acompanhados por um homem negro vendedor de limões, cujo tabuleiro esvaziam pouco a pouco, jogando os limões às ventas de pessoas que nem sequer conhecem.Alguns gritos, entrecortados de gargalhadas, revelam ao locatário do primeiro andar, cujo cómodo de frente já foi esvaziado de seus móveis, por precaução, que chegou a hora de abrir as janelas, ou para evitar que se quebrem os vidros ou para se preparar ele próprio para a batalha de limões.Alguns curiosos assomam aos balcões e logo desaparecem e a manhã toda decorre entre escaramuças. Depois da refeição, entretanto, sentindo-se todos dispostos ao combate, correm às janelas e alegremente solicitam, de longe, e com gestos, licença para começar; ao mais ligeiro assentimento alguns limões trocados com habilidade e pontaria dão o sinal do ataque geral; e, durante mais de três horas, vê-se grande quantidade desses projéteis hidróferos cruzando-se de todos os lados nas ruas da cidade e estourando contra um rosto, um olho ou um colo.A ducha decorrente, de mais ou menos um copo de água aromática, suporta-se agradavelmente em vista do calor extremo da estação.É natural que, após semelhante combate, toda a sociedade de um balcão, molhada como ao sair de um banho, se retire para mudar de roupa; mas logo volta com o mesmo entusiasmo. E uma moça sempre se orgulha do grande número de vestidos que lhe molharam nesses dias gloriosos para seus dotes de habilidade".
Texto de Debret, tradução. de Sérgio Milliet, ed. cit., p. 219-220).
Referências
- Livros diversos sobre a história e iconografia do Rio de Janeiro foram consultados para dar suporte à criação desta página.
Blocos e Bandas Carnavalescas no Rio de Janeiro - http://www.riodejaneiroaqui.com/carnaval/rio-carnaval-blocos.html
Apesar dos desfiles de escolas se samba serem a faceta mais divulgada do carnaval do Rio de Janeiro, os blocos e bandas de rua são também uma manifestação muito tradicional e popular entre os cariocas. Alguns blocos são muito antigos, como o Cordão da Bola Preta que completou 90 anos. Aqui estão listados alguns destes blocos tradicionais, onde o carioca extravasa sua alegria e bom humor, nesta festa de alegria. Veja também as datas de saida do blocos.
Desde a metade do século XIX, agrupamentos de pessoas dispostas a se divertir, ou seja, os foliões tomavam as ruas do Rio de Janeiro.
Nesta época, até as primeiras décadas do seculo XX não existia grandes distinções formais ou normativas entre estes agrupamentos, e de acordo com as características de cada tipo de agrupamento, os mesmos eram chamados de "grupos", "cordões", "ranchos" e "grandes sociedades carnavalescas".
Nesta época, até as primeiras décadas do seculo XX não existia grandes distinções formais ou normativas entre estes agrupamentos, e de acordo com as características de cada tipo de agrupamento, os mesmos eram chamados de "grupos", "cordões", "ranchos" e "grandes sociedades carnavalescas".
Na década de 1920, estudiosos e a imprensa começaram a definir e classificar melhor as diferentes categorias da folia carnavalesca como se segue.
Blocos de Carnaval na Atualidade
Nos últimos anos, o número de blocos que desfilam pelas ruas do Rio vem aumentando de forma notável. Em 2011 mais de 450 blocos foram autorizados a desfilar pelas ruas da cidade, e no ano de 2012 este número deve ultrapassar 500 autorizações para saída durante o carnaval mostrando o que o ressurgimento dos blocos carnavalescos já se torna uma realidade inquestionável e que vem animando cada vez mais o carnaval dos carioca. A parte do Rio de Janeiro que conta com mais blocos é a chamada Zona Sul, entretanto a grande lista se estende por todos o bairros da cidade.
Grandes Sociedas
Clubes ou sociedades carnavalescas, ou grandes sociedades, seriam os grupos mais organizadas e com muitos participantes. Eram clubes organizados, formados por pessoas da sociedade carioca que organizavam cortejos ou desfiles fantasiados e competiam entre sí, inclusive com carros alegóricos.
Ranchos
Os grupos de carnaval mais populares eram chamados de "ranchos" quando eram considerados mais organizados e sociáveis, formando uma espécie de associação.
Blocos ou Cordões
Quando os grupos eram mais desorganizados ou descontrolados chamavam-se "blocos ou cordões".
Em tempos passados, "blocos" seriam um meio termo entre os "ranchos" e os "cordões" que não eram muito bem vistos. Os blocos foram a inspiração para "grupos de samba", que procuravam aceitação social, e que viriam a ser as escolas de samba a partir da década de 1930. Entretanto as escolas de samba também sofrerem influências ou incorporaram certos aspectos dos desfiles dos ranchos e grandes sociedades. Os cordões se extinguiram em sua forma original e passaram a se chamar blocos.
Primeiros Blocos Licenciados
Embora estes blocos pudessem já existir antes, segundo registros, os primeiros blocos licenciados pela polícia do Rio de Janeiro vem 1889 e entre eles estão: Zé Pereira, Bumba meu Boi, Estrela da Mocidade, Grupo Carnavalesco São Cristóvão, Corações de Ouro, Recreio dos Inocentes, Um Grupo de Máscaras, Novo Clube Terpsícoro, Guarani,Piratas do Amor, Bondengó, Lanceiros, , Teimosos do Catete, Guaranis da Cidade Nova, Prazer da Providência, Prazer do Livramento.
Bloco de sujo
É um agrupamento de foliões onde o desorganização e improviso são a marca registrada. É uma típica manifestação popular de rua no Brasil, talvez mais comum em tempos passados. Foliões se reúnem seja com roupa comum ou com fantasias de improviso, e acompanhados por instrumentos também tocados de forma improvisada, desfilam pelas ruas, cantando marchinhas carnavalescas e sambas ou enredos de escolas de samba. Muitos destes blocos são satíricos, e tomam como tema personagens conhecidos da política ou personagens do bairro, e se utilizam de ironia e bom humor.
http://www.riodejaneiroaqui.com/carnaval/rio-carnaval-blocos.html
História das Escolas de Samba http://www.riodejaneiroaqui.com/carnaval/carnaval-escolas-de-samba.html
Historicamente e socialmente falando, as Escolas de Samba são o produto das transformações de manifestações culturais do carnaval carioca aliada ao surgimento do Samba moderno. As escolas tem como marco histórico de surgimento o ano de 1928.
Origem dos Desfiles Carnavalescos
Na segunda metade do século 19, existiam no Rio de Janeiro as chamadas Grandes Sociedades Carnavalescas ou clubes sociais que promoviam festas diversas, e na época de carnaval, antes do aparecimento das escolas de samba, organizavam cortejos carnavalescos, ou desfiles pelas ruas do Rio com uso alegorias, e geralmente fazendo sátiras ao governo.
Estas antigas "sociedades" ou clubes que participavam dos cortejos ou desfiles competiam entre sí, e na época eram a atração predominante do antigo carnaval carioca. Entretanto os membros das grandes sociedades eram compostos pela elite da cidade.
Existiram também os antigos Cordões Carnavalescos, assim como os Ranchos, cujos participantes vinham das camadas populares.
Estas tradições e manifestações que um dia foram a principal atração do carnaval carioca desapareceram, tendo as Escolas de Samba ocupado seu lugar.
As Escolas de Samba em sua forma mais popular surgiu posteriormente, enquanto as antigas "grandes sociedades" desapareciam. Entretanto, ainda existe o Clube Democráticos, talvez o ultimo dos remanescentes das antigas sociedades do século 19, que hoje em sua sede organiza bailes e noites dançantes durante todo o ano. Este club ou antiga "sociedade" hoje é mais conhecido como clube e local popular de dança de salão e dança de gafieira no Rio de Janeiro. Veja mais em história, origens e tradições do carnaval.
Origens e história das Escolas de Samba
Históricamente e socialmente falando, as Escolas de Samba são o ultimo e mais recente produto das transformações das manifestações culturais do carnaval do Rio de Janeiro aliada ao surgimento do Samba moderno.
Historiadores do carnaval tomam como base de surgimento das Escolas de Samba a fundação da "Deixa Falar" no ano de 1928, fundada por Sambistas do Estácio, entre eles Ismael Silva.
A idéia era criar um bloco de carnaval diferente, que dançasse e evoluisse ao som de Samba, diferentemente dos Ranchos que dançavam e evoluiam ao som das marchas-rancho que usavam também insturmentos de sopro e metal e tinham um rítimo mais pausado e diferente. As Escolas de Samba não usavam instrumentos de sopro.
Nesta época, ainda no ano de 1929 foi organizado o primeiro concurso de Samba na casa de um jornalista sambista e também fundador da Mangueira ou Estação Primeira de Mangueira.
Em 1932 o jornalista Mario Filho, proprietário de um jornal chamado Mundo Sportivo organizou e patrocinou o primeiro desfile de escolas de Samba na Praça Onze. Na verdade este jornal tinha entre seus quadros de redação compositores famosos como Armando Reis, António Nassara e Orestes Barbosa. Certamente a redação do jornal gostava de uma batucada além de futebol. E viram nesta empreitada uma forma de promover o jornal que havia sido inaugurado no ano anterior.
Para quem não sabe, o nome oficial do Estádio do Maracanã é Estádio Mário Filho em homenagem à este jornalista que faleceu pouco antes de sua inauguração. Outro fato curioso é que, Nelsos Rodrigues, também escritor, autor de peças de teatro e também jornalista era irmão de Mario Filho.
Neste primeiro concurso, 19 escolas competiram entre sí. Para o concurso existia pré-requisitos para entrar no concurso como ter mais de 100 participantes em suas fileiras, ter samba inédito, não utilizar instrumentos de sopro, e ter ala de baianas entre outros requisitos.
O vencedor do primeiro concurso foi a Estação Primeira de Mangueira, ficando em segundo lugar a Portela, que na época chamava-se Osvaldo Cruz.
O concurso foi um sucesso e foi também oficializado, continuando a ser realizado na Praça Onze até o ano de 1941.
Com o decorrer dos anos, as Escolas de Samba passaram a incorporar muitos elementos e aspectos dos Ranchos, como criação de um enredo para o desfile, apresentação de um casal de Mestre Sala e Porta Bandeira.
Entre as principais diferenças entre as Escolas de Samba e Ranchos Carnavalescos, pode-se enumerar as que se seguem.
Quanto ao tipo de música, as escolas de samba surgiram junto com o samba moderno e adotavam e adotam este tipo de música enquanto os ranchos adotavam as marchas rancho. Exemplos de marcha rancho seriam o "Abre Alas", composição de de Chiquinha Gonzaga e Bandeira Branca, imortalizada por Dalva de Oliveira. Um exemplo bem genuíno seria a marcha rancho do carnaval da década 1910 do rancho Ameno Resedá.
Quanto ao conjunto de música e instrumentos, as escolas de samba utilizavam-se apenas de percussão, sem a utilização de instrumentos de sopro (era proibido pelo regulamento), enquanto as marchas rancho utilizavam uma gama de instrumentos bem mais abrangentes.
Se com as escolas de samba existiu uma valorização da chamada cultura primitiva e popular, esta valorização reduziu o interesse dos músicos populares no sentido de aprenderem a tocar instrumentos que exigiam algum estudo ou erudição, como os instrumentos de sopro e metais. Valorizou-se a cultura popular e o ato de fazer e executar música (samba moderno) sem a necessidade de conhecimento musical, já que com um pandeiro, surdo, instrumentos de percussão e voz é possivel fazer e tocar um samba. Mas perdeu-se quanto ao interesse por uma música e sonoridade que abrangesse uma gama maior de instrumentos.
Quanto ao tipo de desfile ou cortejo, os participantes das escolas de samba desfilavam sambando, e a ala das baianas também eram uma de suas caracteristicas iniciais. Com o tempo, as escolas de samba foram agregando e algumas características dos ranchos.
Os ranchos já usavam as figuras de Rei e Rainha e possuiam estandarte e porta bandeira, assim como comissão de frente. O ranchos possuiam mestre de hamonia, canto e sala (coreografia). Se pensados em termos de linguagem simbólica das escolas de samba, estas figuras seriam o Mestre Sala e Porta Bandeira. As pastorinhas dos ranchos talvez seja o equivalente à ala das baianas da escolas de samba.
Em 1934 foi fundada a União Geral das Escolas de Samba, e a importância de seus desfiles começou a crescer no cenário do carnaval do Rio de Janeiro, superando os Ranchos e as Sociedades Carnavalescas, até que estas se extinguissem.
O desfile das Escolas de Samba é atualmente a mais forte manifestação e maior destaque do carnaval do Rio de Janeiro.
Acima uma montagem artística com sobreposição de carros alegóricos de escolas de samba. Os carros alegóricos na verdade foram herdados dos desfieles das grandes sociedades carnavalescas.
Entretanto, estas alegorias móveis sobre rodas já estiveram presentes em festejos comemorativos com cortejos acontecidos até mesmo antes da vinda da Corte Portuguesa para o Brasil. Nas ilustrações acima, os desenhos do carros alegóricos que desfilaram no Passeio Público em 1876 nas comemorações e festejos do casamento de D. João VI e Dona Carlota Joaquina.
http://www.riodejaneiroaqui.com/carnaval/carnaval-escolas-de-samba.html
Referências
- Consulta a livros diversos sobre o Rio de Janeiro e sua história foram feitas para dar suporte à criação desta página.
História do Carnaval do Rio de Janeiro - http://www.riodejaneiroaqui.com/carnaval/carnaval-historia.html
O Carnaval do Rio de Janeiro é uma manifestação cultural e festa popular mundialmente famosa. Talvez a festa popular mais conhecida no mundo, sendo uma atração que chama atenção por todos os diferentes tipos de manifestação, como desfiles de escola de samba, bailes de carnaval, carnaval de rua, bandas e blocos de rua.
As Possíveis Origens
Segundo o Autor Alberto Ribeiro Lamego, no livro "O Homem e a Guanabara" supõe que as origens do Carnaval vem das celebrações da Páscoa de 1641 que comemoraram também a Restauração de Portugal, através de uma passeata a caráter onde o governador tomou parte, seguido de simulações de combates, corrida de touros e cavalhadas.
Estas festas eram chamadas "encamizadas". Cavalhadas era uma espécie de festa, onde se representava a luta entre mouros e cristãos, entre cavaleiros com cavalos ornamentados, sendo doze cavaleiros mouros e doze cavaleiros cristãos representando batalha travada na Idade Média ao tempo de Carlos Magno.
Ele acredita que, a origem do Carnaval carioca vem destas lembranças para homenagear tempos heróicos e passados, sendo que estas manifestações, como as Cavalhadas ainda sobreviviam pelo interior do Brasil.
Na gravura do pintor Debret retrata os festejos e folias de carnaval ao tempo de D.João VI nas ruas do Rio de Janeiro. A mulher sentada vende "limões de cheiro" ou bolas de cera cujo conteúdo interno geralmente era água perfumada, para ser atirada nas pessoas. A menino ao lado está com um bisnaga lançando água. As manchas brancas na face devem ser farinha.
O Carnaval ao Longo dos Tempos
Nelson Costa, autor do livro "Rio de Hoje e Ontem", descreve que os festejos carnavalescos sempre entusiasmavam os cariocas desde os primórdios da cidade.
Indo mais além, através da consulta e observação de outras e várias fontes, podemos notar que o carnaval do Rio passou por inúmeras fases e transformações.
Na primeira metade do século 19 a brincadeira tinha características bastante diferentes das manifestações que se sucederam e surgiram na segunda metade. A partir da segunda metade do século 19 as manifestações de rua passaram a ser mais organizadas através de agrupamentos, clubes e associações.
Principais manifestações carnavalescas que se sucederam ao longo do tempo
O Entrudo, brincadeira popular de rua e também adotada pela classe média que prevaleceu até a primeira metade do século 19.
As Grandes Sociedades Carnavalescas surgiram na segunda metade do século 19 e eram organizadas em parte por membros alta sociedade brasileira, quando então saiam às ruas fantasiados em desfiles organizados, aludindo aos mais diversos temas, fazendo uso de fantasias luxuosas e requintadas ao estilo europeu.
O cordões e blocos apareceram no final do século 19, sendo que o primeiro cordão que surgiu com registro histórico remete ao ano de 1886. Mas acredita-se que os Cordões surgiram ao mesmo tempo que as Grandes Sociedades e os Ranchos. O Blocos e Cordões eram formados por grupos de foliões que andavam em fila, com seus partipantes caminhando e dançando um atrás do outro e frequentados por pessoas comuns que ser fantasiavam.
Os corsos de carnaval e batalhas de confete podem ser tidos como a nova formatação no século 20 dos antigos cortejos ou desfiles das grandes sociedades carnavalescas que dominaram a segunda metade do século 19.
Os ranchos carnavalescos eram associações que desfilavam pelas ruas ou faziam cortejo de carnaval de forma organizada, acredita-se que as principais influências vieram de costumes influênciados pela cultura africana, como Congos e Cucumbis, muito difundidos na cultura popular. Eram um cortejo com a presença de Rei e Rainha ao som das chamadas marcha-rancho. Os Ranchos surgiram no final do século 19 e ganharam muito prestígio e evidência na primeira metade do século 20.
As Escolas de Samba surgiram na virada de 1930 e passaram a ganhar cada vez mais destaque em detrimento do desfile dos Ranchos. Veja mais sobre o aparecimentos das Escolas de Samba e em que elas se diferenciam dos Ranchos.
Uso de Lança-perfume e Serpentina
Os costumes carnavalesmo mudaram ao longo do tempo, e novas formas de manifestação foram aparecendo no século 20 no Rio de Janeiro. No século 19 havia muitas festas além do carnaval, e muitos destes festejos praticamente desapareceram da tradição como a Festa do Divino entre outras.
No século 20, o Carnaval no Rio tornou-se a festa máxima e mais importante, passando a influir tanto nos hábitos como também até na formação do povo.
Antigamente eram usadas as bisnagas dágua feitas de metal e também os "limões de cheiro" feitos de cera. Os limões de cheiro evoluiram para as "lança-perfumes", enquanto as grandes bisnagas dágua evoluiram para bisnagas de plastico.
As limas-de-cheiro ou laranjas ou limões de cheiro, como eram chamados estes objetos de cera, foram usados em várias cidades do Brasil até o começo do século 20, aproximadamente até a primeira década.
Apareceram também as serpentinas e confetes multicoloridos, que davam aos bailes e também à ruas muita vida e aspectos encantadores.
Máscaras de Carnaval
As máscaras de carnaval, disfarces e fantasias eram influênciadas e tinham também origem nos indígenas. Entretanto foram os portugueses que introduziram as máscaras européias juntamente com as fantasias usadas na Europa.
Bailes de Máscara e à Fantasia
Os primeiros bailes à fantasia e bailes de máscara do Rio de Janeiro form organizados e realizados em hotéis e posteriormente em teatros existentes à epoca do Brasil Imperial. Veja mais sobre bailes de carnaval, suas origens e bailes atuais.
As novas manifestações e o Carnaval do Rio de Janeiro
Muitas das antigas formas de manifestações carnavalescas foram reduzidas ou até desapareceram, outras evoluíram, acompanhando as mudanças de vida ao longo do tempo.
A cidade do Rio de Janeiro passou por inúmeras modificações e transformações, com aberturas de muitas e novas vias públicas e muitos aterros. Muitos festejos que aconteciam na Rua do Ouvidor, passaram a acontecer na recem aberta da Av Central, atual Av. Rio Branco, para onde se mudaram os desfiles, e onde se iniciou ou "Corso" carnavalesco.
Com as mudanças nas manifestações de carnaval e as modificações que foram ocorrendo na cidade, outros locais foram obrigados a se deslocar para a Praça Onze e para os bairros. Na década de 1980 foi construída a Passarela do Samba ou Sambódromo como ficou popularmente conhecido.
Apesar de muitas formas originais terem desaparecido e outras tomado novas formas, o Carnaval do Rio continua como a maior festa popular carioca e possivelmente a maior festa popular do mundo.
A festa continua a valorizar a música e os rítimos alegres, a ironia e a malicia sadia, a dança e as coreografias populares. E junto à isto os maiores escritores e poetas tem escrito sobre a festa que encanta o Rio, o Brasil e o Mundo.
Referências
- Consulta a livros diversos sobre o Rio de Janeiro e sua história foram feitas para dar suporte à criação desta página.
Bailes de Carnaval no Rio de Janeiro - http://www.riodejaneiroaqui.com/carnaval/bailes-carnaval.html
Sobre bailes de carnaval, datas de realização, suas origens e tradições. Embora alguns tipos de bailes ocupem mais espaço na mídia, sempre existiram bailes de vários tipos no Rio de Janeiro, e que se adequam às mais diferentes faixas de poder aquisitivo.
Origens dos Bailes de Carnaval, Máscaras e Fantasias
Segundo Nelson Costa, autor do Livro "Rio de Ontem e de Hoje", as máscaras e disfarces já existiam no imaginário local inspirada nos indígenas, mas foram os portugueses que introduziram as máscaras e fantasias europeias, como eram usadas no Velho Mundo.
Os primeiros bailes de máscara e à fantasia, aconteceram em hotéis e posteriormente em teatros, como o São Januário e no antigo Beco do Cotovelo.
À seguir, outros teatros inauguram os bailes populares em locais como a Chácara da Floresta, Castelo e Campo de Sant´Ana.
Para quem não sabe, deve-se dizer que, o Teatro São Januário era um teatro, que ficavava atrás da antiga Cadeia Velha, perto da Praça 15.
Este teatro foi posteriormente demolido, assim como a antiga Cadeia Velha. No lugar da antiga Cadeia Velha foi construído o Palácio Tiradentes.
Antigos Bailes Abertos Mediante Ingresso
Os Bailes de Clubes, em tempos passados podiam ser fechados admitindo apenas sócios ou convidados, e os Bailes de Hotéis eram abertos somente aos hóspedes, convidados e pessoas de maior poder aquisitivo.
Devido à este fato, existia uma carência de diversão mais popular e acessível e muitos promotores de eventos viram um mercado na promoção de Bailes com ingressos pagos, sem a necessidade de nenhum tipo de vínculo prévio com os organizadores ou local de tal festa.
Assim alguns bailes, de longa data na história do carnaval carioca, bailes eram organizados de forma mais descontraída quanto à admissão de participantes e foliões. Desde o século 19, no tempo do Império, já existiam bailes com admissão de ingressos, quando alguns eram organizados em teatros.
Bailes Temáticos
Nas ultimas décadas do século 20 até o tempo presente, muitos bailes tem sido organizados em diferentes locais, e entre estes se destacaram os bailes do Scala como o Baile da Cidade Maravilhosa, Baile do Vermelho e Preto e também o exótico Grande Gala Gay para o público GLS. A casa de shows Scala, que ficava no Leblon foi fechada em 2010 devido à retomada do imóvel pelos proprietários.
Muitos destes bailes, são eventos muito promovidos e que chamam a atenção da mídia (radio, jornais, revistas e televisão), e onde muitos dos que procuram estes bailes provavelmente imaginam fazer parte de um grande evento, e portanto a motivação não é somente se divertir unicamente longe dos holofotes, mas ver e participar de um acontecimento que é também destaque na imprensa.
Antigos Bailes do Municipal e Concursos de Fantasia
Durante muitos anos, foi famoso o antigo Baile da Cidade, realizado no Teatro Municipal, quando este era o baile mais disputado pela alta sociedade e famosos. O Teatro lotava, e os trajes eram a rigor para os homens que usavam black-tie e as as mulheres usavam fantasias ostentosas. O ponto culminante destes bailes eram os concursos de fantasias, onde algumas pessoas desfilavam fantasias geralmente caríssimas e trabalhosas, onde não somente o prêmio em dinheiro estimulava, mas também a fama e oportunidade de aparecer na mídia. Nesta época ficou famoso Clovis Bornay, um museólogo que todos os anos desfilava no Concurso de Fantasias do Municipal e surpreendia a todos com a criatividade e requinte das fantasias com que ele concorria. Clovis Bornay vencia tantos concursos que nos últimos anos foi considerado "Hour Concurs" para que outros tivessem chance de vencer. Ou seja, ela era convidado para participar como se fosse um campeão por antecipação, considerado alguém muito acima da média, e portanto sem concorrentes à altura.
Bailes de Clubes e Hoteis
Também se tornaram muito conhecidos e concorridos no século 20 os Bailes do Clube Monte Líbano e o Baile do Copacabana Palace que eram também, e ainda é um ponto culminante do Carnaval do Rio do Janeiro. Hoje em dia, o Baile do Copacabana Palace é o baile de maior destaque do Carnaval carioca em termos de glamour e celebridades.
Bailes Populares
Bailes populares ou mais acessíveis a qualquer bolso seriam os bailes de clubes de dança e gafieiras, cuja entrada é feita mediante ingresso comprado na porta.
Outro tipo de baile popular, seriam os bailes de rua, bancados por uma banda paga pela prefeitura. Desde as duas últimas décadas do século 20 a Prefeitura tem organizado estes "bailes" que na verdade são mais um aglormerado de pessoas em torno de uma banda que toca músicas de carnaval.
Alguns dos Principais Bailes de Carnaval na Atualidade
Muitos bailes são voltados para pessoas que querem algo informal, onde o divertimento, descontração e baixo custo é o que importa. Outras tem o senso de participarem de um evento maior e cheio de "glamour". Existem bailes em sedes sociais de clubes, bailes caros como o do Hotel Copacabana Palace, e bailes temáticos e exóticos como os antigos bailes do Scala. Alguns bailes populares também tem sido organizados pela Prefeitura do Rio, como na Cinelândia. Entretanto, no ano de 2011a grande novidade fica por conta dos bailes da zona portuária sob o apoio da Prefeitura.
Veja as datas e descrição dos principais bailes de carnaval, incluindo opções para gostos diversos e diferentes faixas de preço.
Baile do Hotel Copacabana Palace
Baile tracional, frequentado pela alta sociedade, celebridades, artistas, modelos e socialites, é o principal destaque da programação do sábado de carnaval.
É um dos bailes de ingresso mais caros do Rio, realizado no salão do mais tradicional e luxuoso hotel do Rio, onde geralmente existe muita cobertura da imprensa escrita e tevisiva, e são vistas inúmeras celebridas e pessoas importantes da cidade. Em tempos passados era considerado um baile luxuoso e elegante e hoje ainda é, apesar de ultimamente terem sido mostradas na imprensa e outras mídias muitas gafes perpetradas por celebridades, que a cada dia ganham mais fama e a atenção do holofotes.
Bailes de Gafieiras e Clubes de Dança
Existem também os bailes de clubes de dança e gafieiras, cujos preços são acessíveis à todo mundo, e onde a preocupação dos que vão é mais se divertir do que serem notados pela mídia. São os que procuram realmente um local exclusivamente para dançar e se divertir, longe dos holofotes, já que este locais são frequentados por pessoas comuns e descontraidas. Embora o nome gafieira possa despertar receio, ao contrário do que se pensa, alguns bailes de clubes de dança de salão e gafieira são bem organizados e com ambiente seguro e saudável.
Baile e Carnaval Popular na Cinelândia
Na praça mais popular e conhecida do Rio de Janeiro, a Cinelândia, a Prefeitura geralmente organiza bailes populares. Esta que é a principal praça do centro do Rio, possui a estação Metro Cinelândia para facilitar o acesso, onde o baile popular ao ar livre geralmente é organizado. O "baile" é mais uma aglomeração descontraida de pessoas, onde se ouve músicas de carnval. O local fica bastante movimentado, e a frequência é variada, com todo tipo de pessoas, pessoas simples, classe média, estudantes. O perfil dos que vão ao local é o de pessoas que estão afim de se divertirem sem gastar muito e num ambiente descontraído.
Datas dos Bailes
Veja o calendário e datas de bailes do Rio de Janeiro, incluindo a programação dos bailes oficiais que acontecerão na zona portuária da cidade.
- Diversos livros sobre a história do Rio de Janeiro abordando o carnaval foram consultados para dar suporte à criação desta página.
http://www.riodejaneiroaqui.com/carnaval/bailes-carnaval.html
Do autor do Blog: Eu fui aos antigos Bailes do Municipal, aos Bailes do Clube Monte Líbano e aos Baile do Copacabana Palace, um tempo bom no Balneário Chic que não volta mais.
Do autor do Blog: Eu fui aos antigos Bailes do Municipal, aos Bailes do Clube Monte Líbano e aos Baile do Copacabana Palace, um tempo bom no Balneário Chic que não volta mais.
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